O cruzamento entre o saber e o fazer

São muitas as angústias que nos rodeiam, e especialmente ontem, após o bate-papo com o professor Gerbase, uma verdade tornou-se ainda mais real: a experiência profissional vs a vida acadêmica. O desafio está na habilidade de cada um em cruzar o mundo acadêmico com o mundo profissional. Em sala de aula teremos alunos sedentos por conhecimentos teóricos e práticos. E como conciliar estes dois mundos? Gerbase soube gerenciar as carreiras profissionais e acadêmicas com sabedoria, e hoje é referência nestes dois universos. Porém sua história é singular, foi o meio acadêmico que se moldou ao ritmo de vida do cineasta.
Tempo de maturação e experiência são dicas que o professor pós-doutor coloca como essenciais antes da caminhada acadêmica.
Sabemos que cada um tem seu próprio tempo. Para Gerbase, a vida e oportunidades se desenharam de maneira natural. Mas é importante frisar que, como ele mesmo diz, era uma outra época, a qual o saber e o fazer possuíam particularidades que hoje não apresentam mais. Nossa história está sendo escrita com outras tintas, temos mais competitividade, o MEC agregou novas regras ao campo, os empregadores não compreendem bem nossa ausência fomentada pelos afazares acadêmicos , e ainda temos os amigos, os amores, a família, nós mesmos, as mídias, as tecnologias, as teorias, o pós e o hiper moderno, o quanti e o quali… Enfim, cada um a sua maneira busca dar o melhor de si. Como diz o professor Roberto Ramos, estamos fazendo o melhor dentro do nosso contexto e condições de vida. Equalizar os dois mundos é também nosso desafio como mestrandos/doutorandos. Como fazer? Cabe a cada um a resposta.
Daniela Maria

Conversando com professores

Na próxima terça-feira, 24 de maio, o Geisc promoverá um encontro (às 19h, sala 301) com a participação do Prof. Dr. Carlos Gerbase. Profissional com múltiplos talentos, diretor e roteirista de cinema, músico, escritor e professor.
A proposta do encontro é conversar com o Prof. Dr. Gerbase sobre como conciliar a vida acadêmica com outros projetos profissionais.
Não percam esse encontro!
Para conhecer mais sobre o Prof. Dr. Carlos Gerbase e seu trabalho, clique  aqui e acesse seu perfil na Casa de Cinema de Porto Alegre. Lá você também pode conferir os filmes produzidos pelo Prof. Dr. Gerbase, textos em seu blog e acessar o blog de seu mais novo filme, Menos que Nada.

Apresentação de Pesquisas – 1 

Olá colegas,
Em nosso último encontro (03/05/11) foram apresentados os trabalhos de duas pesquisadoras do Grupo.
Para que todos possam acessar essas pesquisas, escrevemos um pequeno resumo sobre nossos trabalhos para deixar aqui no blog. Leiam, comentem e deem suas sugestões!

Pesquisa 1: Luciana Galhardi

Título provisório: Comunicação Institucional: a publicidade emocional utilizada pela Natura Cosméticos

O trabalho pesquisa o apelo emocional utilizado na publicidade insitucional da Natura Cosméticos. Através do método da sociologia compreensiva de Michel Maffesoli, temos como objetivo geral, compreender como a Natura se diz agir em sua comunicação institucional. Entender como ela se dirige aos seus públicos, e como os elementos comunicacionais – visuais e discursivos – ajudam a moldar e construir um mundo mais belo e unido, é a nossa meta. Para o corpus do nosso estudo selecionamos três campanhas publicitárias, enfatizando as três peças audiovisuais (vídeos) de cunho institucional que se caracterizam por usarem o apelo emocional, divulgando sua marca como forma de valorizar o indivíduo propagando o bem-estar.
Para alcançar um resultado satisfatório em nossa análise, delimitamos nosso problema de pesquisa nas seguintes questões: como o apelo emocional, na comunicação publicitária, cria vínculo afetivo entre a Natura e o consumidor; e como os elementos utilizados nas campanhas colaboram para a construção do imaginário social. Na busca da qualidade necessária, trabalharemos como escolha prioritária as seguintes categorias teóricas: a comunicação institucional, o imaginário, e a publicidade. Pretendemos apresentar uma análise adequada das peças publicitárias selecionadas, de forma que a Natura se sinta bem representada no que tange a sua comunicação institucional, passando pelos imaginários, pela estética da sedução, e pelo apelo emocional, na construção de uma comunicação persuasiva séria, de bom gosto e encantadora.

Pesquisa 2: Bruna Rocha Silveira
Título provisório: As representações das pessoas com deficiência nas telenovelas brasileiras

Meu projeto de dissertação mudou muito desde minha entrada no mestrado até o presente momento. Enquanto fazia as primeiras disciplinas do mestrado, estava em exibição, no horário nobre da TV Globo, a novela Viver a Vida, de Manoel Carlos. A novela não se diferenciava muito de outras histórias de Manoel Carlos: famílias ricas, residentes do Leblon (bairro nobre do Rio de Janeiro), formadas por pessoas belas com seus diferentes problemas pessoais. Mas em Viver a Vida houve um fato que fez dessa novela um divisor de águas: a personagem mais bela da novela, a mocinha da história sofre um acidente e fica tetraplégica. A partir desse fato, a realidade das pessoas com deficiência foi escancarada no horário nobre da TV brasileira, num dos programas de maior audiência do país. Ao contrário da grande maioria das novelas, em que uma cura milagrosa é criada para a personagem, Manoel Carlos optou por mostrar a realidade de uma pessoa com deficiência. Como sou uma pessoa com deficiência motora e por conviver com muitas pessoas com deficiências, foi inevitável o meu envolvimento e minha identificação com esta telenovela.
Enquanto a novela Viver a Vida estava no ar, percebi que pela primeira vez, em 11 anos de deficiência motora, eu podia falar sobre deficiências com qualquer pessoa à minha volta e era minimamente entendida. Nesse momento, percebi que esta novela tinha sim um grande impacto no comportamento da sociedade brasileira.
Fazendo um cruzamento dos temas deficiência e mídia no portal de dissertações e teses da Capes descobrimos que existem apenas seis dissertações e duas teses analisando esse cruzamento.  Assumi então o desafio de estudar as representações das pessoas com deficiência nas telenovelas, a partir dos Estudos Culturais.
Estudar as representações das pessoas com deficiência em telenovelas brasileiras se justifica em pelo menos três instâncias: a dos estudos das representações midiáticas, a da importância política dessas representações ao dar visibilidade a um tema que trata da inclusão, e da importância da telenovela, como um programa de abrangência nacional e transclassista.
Entendemos a deficiência a partir dos Disability Studies, encarando a deficiência como uma retórica cultural, e não um fato ou questão biológica. Tendo em vista tal realidade, nos perguntamos como a pessoa com deficiência física é representada nas telenovelas brasileiras e no que essas representações implicam em nossa sociedade e no cotidiano dessas pessoas.
Para pensar as representações e a cultura da mídia, nos valemos do aporte teórico de Stuart Hall e Douglas Kellner. Entendemos que a cultura da mídia pode contribuir para a reprodução de discursos estereotipados e preconceituosos quando falamos em grupos minoritários (sexo, idade, classe, cor, habilidades), bem como pode propiciar uma visão mais positiva sobre esses grupos.
Nesse momento a pesquisa encontra-se em vias de qualificação, sendo que já temos um mapeamento de todos os personagens com deficiência física apresentados nas telenovelas da Rede Globo (1965-2010) e a seleção dos capítulos a serem analisados, totalizando 59 capítulos, divididos em 6 categorias temáticas: 1. A deficiência; 2. Tratamentos de reabilitação; 3. Acessibilidade; 4. Formas de enfrentamento da deficiência; 5. Sexualidade; 6. A visão do “outro”.

Sociologia: esporte de combate

Em nosso penúltimo encontro do Geisc fizemos uma discussão sobre capital cultural e habitus midiatizado. Para dar início ao debate, assistimos um pedaço do documentário Sociologia é um esporte de combate (2001), de Pierre Carles composto de discussões, entrevistas e debates, além do dia a dia daquele que é possivelmente um dos maiores oráculos da sociologia, o francês Pierre Bourdieu. Neste trecho do documentário Bourdieu fala da importância da hierarquização do capital cultural no âmbito escolar, mas podemos expandir tal tese relacionando-a à questão dos gostos de classe e como a posição social influencia não apenas a maneira como o mundo nos vê, mas também como vemos o mundo, conforme podemos ver no estudo Gostos de classe e estilos de vida do autor.

Trecho do documentário que vimos no encontro

Ponto de vista de Bourdieu necessitar de atualização sobre as possibilidades provenientes das novas tecnologias e especialmente da mobilidade de classes, podemos trazer esse pensamento para as preferências dos indivíduos dentro da mídia. Talvez para ilustrar a problemática em poucas palavras possamos lançar a reflexão: por que muitos brasileiros das classes mais abastadas tem vergonha de assistir a novelas, porém exaltam seriados americanos? Por exemplo. Por mais simplista que seja, esta é uma realidade facilmente identificável em nosso meio e reflete o habitus na mídia, abordando uma questão estética.

Para maior entendimento sobre o tema e para fomentar a discussão que sempre é interessante para aqueles que estudam cultura sugiro a leitura dos artigos:

BOURDIEU, Pierre. Gostos de classe e estilos de vida. In: ORTIZ, Renato (Org.). Pierre Bourdieu: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1983, pp.82-121.
Também disponível em diversas coletâneas sobre o autor.

FREIRE FILHO, João. Estudos Culturais e os deslocamentos do domínio estético. ECO-Pós, Rio de Janeiro: UFRJ/Eco, v.12, n.3, set-dez 2009, pp.150-171. Disponível em: http://www.pos.eco.ufrj.br/ojs-2.2.2/index.php/revista/article/view/307/341

Uma forma bem humorada de mostrar como os gostos de classe estão presentes em diversos âmbitos da sociedade se apresentam neste vídeo do quadro Vem com tudo, apresentado por Regina Casé no Fantástico, especificamente a partir de 5’50”

Texto: Lúcia Coutinho

Lançamento do E-book

Caros colegas,

depois de quase dois anos de trabalho, é  com muita alegria que repassamos a seguinte notícia:

A EDIPUCRS acaba de disponibilizar online o Ebook do Geisc:

Comunicação midiática: Matizes, representações e reconfigurações

Ele pode ser acessado no seguinte endereço:

http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/comunicacaomidiatica.pdf

Parabéns a todos nós que fizeram desse projeto uma realidade!

Em especial, parabéns à equipe de produção do livro, os colegas, Vilso Junior Santi, Lúcia Coutinho e Dafne Pedroso.