Qual o impacto das redes?

As redes sociais viraram febre, é fato. E, como todo fenômeno comunicacional, merecem ser objeto de reflexão e estudo. Para quem pesquisa o tema, a curiosidade acadêmica costuma rondar a seguinte indagação: qual o impacto de redes como Facebook e companhia na nossa vida, no nosso cotidiano? Estamos diante de uma revolução alardeada pela tecnologia digital ou simplesmente ganhamos novas ferramentas para continuar cultivando hábitos antigos

Alguns números divulgados pela Nielse, empresa especializada em informações e mídia, são interessantes para pesar a respeito dessa problemática da comunicação contemporânea no contexto brasileiro. A pesquisa aponta que 28% dos entrevistados usam redes sociais para manter o contato com familiares, mencionada por 28% dos entrevistados. Outros 24% entram nas redes durante o dia para manter e localizar amizades antigas. O mesmo índice de usuários que navegam com o objetivo de entretenimento.
E sobre o que se fala nesses espaços virtuais? Segundo a pesquisa, entretenimento é o tema preferencial, sendo apontado por 40% dos entrevistados. Eletrodomésticos vêm na sequência, com 33%. Na terceira posição, experiências relacionadas com viagens e lazer foram citadas por 28% das pessoas.

Quem usa redes sociais, principalmente o Facebook, sabe que a pesquisa tem coerência. No dia a dia, a pretensão de um uso da internet em favor da construção de uma inteligência coletiva parece frágil e utópica. Afinal, ao menos no caso do Brasil, parece que a utilização das redes sociais tem se baseado no tripé comodidade-lazer-propaganda.

Será que esse perfil é reflexo direto dos interesses dos usuários da rede ou seria consequência, na verdade, das características da própria rede? Qual opinião de vocês, colegas do Geisc?

Karine Ruy

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Novas publicações

Seguem abaixo os artigos publicados, recentemente, por integrantes do GEISC.

Confira:

ComunicAção & InformAção, da UFG – [Link]
Autor: Mateus Vilela
Título: O projeto brasileiro de TV Digital: as mudanças nas mensagens através da teoria mcluhiana
Resumo: O artigoa discorre sobre o projeto brasileiro de TV Digital nas suas mudanças de som e imagem, bem como, na inclusão da interatividade e, por conseguinte, no fim dos conteúdos lineares. Para entender as transformações que a migração da tecnologia analógica para a digital trará às mensagens televisivas usar-se-á a teoria mcluhiana que coloca as inovações tecnológicas como elementos centrais nas mudanças de como percebemos as mensagens e de como moldamos nossos comportamentos.

Sessões do Imaginário, da PUCRS – [Link]
Autores: Mateus Vilela, Lírian Sifuentes e Tauana Mariana Jeffman
Título: O dia em que a internet congelou: Apropriações de Avenida Brasil nas mídias sociais
Resumo: O trabalho apresentado tem o objetivo de verificar de que modo a telenovela Avenida Brasil tem sido apropriada por internautas/telespectadores nas mídias sociais. Assim, buscamos compreender o cenário de interação entre televisão e internet que se verifica, atualmente, no Brasil. A análise empírica deste artigo baseia-se na repercussão em torno do 100° capítulo da trama, destacando o largo uso do recurso de congelamento de imagens no Twitter. Fica claro que mais do que suplantar uma à outra, TV e internet se inter-relacionam quando o tema é telenovela, um dos que mais desperta a atenção dos brasileiros.

Derecho a comunicar, México – [Link]
Autoras: Lírian Sifuentes, Bruna Rocha Silveira e Janaína Cruz de Oliveira
Título: Mídia e relações de gênero nas publicações feministas brasileiras
Resumo: O trabalho busca identificar a presença da problemática mídia e relações de gênero nos periódicos feministas Cadernos Pagu e Revista Estudos Feministas –as duas publicações feministas há mais tempo em circulação no Brasil–, realizando um levantamento dos artigos publicados no período de 2001 a 2009. Pesquisas no campo da comunicação, em que se diagnosticou que a temática das relações de gênero pouco se faz presente na área, conformaram nossa hipótese inicial de que há carência desse cruzamento. Essa pressuposição foi confirmada, pois poucos estudos demonstraram preocupação com a articulação entre mídia e feminismo nas publicações consideradas.

Galáxia, PUCSP – [Link]
Autoras: Ana Carolina Escosteguy, Lírian Sifuentes, Bruna Rocha Silveira, Janaína Cruz de Oliveira e Helen Garcez Braun
Título: Mídia e identidade de mulheres destituídas: uma discussão metodológica
Resumo: O objeto de estudo do projeto A visibilidade da vida ordinária de mulheres destituídas na mídia (CNPq) é configurado, por um lado, por um corpus de textos midiáticos, denominados de narrativas pessoais midiatizadas (ESCOSTEGUY, 2011) e, por outro, por uma pesquisa de campo. Esses dois vetores se articulam na principal questão de pesquisa: o que a visibilidade da vida ordinária de mulheres de posições sociais destituídas, na mídia, está produzindo em termos de identidade feminina na mesma classe social? Aqui, problematizamos somente os instrumentos metodológicos que serão aplicados na investigação empírica sobre os processos de conformação identitária feminina e sua vinculação com determinadas representações postas em circulação pelas mencionadas narrativas. Tomando como ponto de partida uma experiência de campo, utilizamos o relato de quatro informantes para discutir a estratégia metodológica experimentada.

Culturas Midiátidas, UFPB – [Link]
Autoras: Deborah Cattani Gerson, Beatriz Dornelles
Título: The i-Piauí Herald e o caso Cachoeira: um estudo sobre falso noticiário
Resumo: Este estudo apresenta uma análise discursiva sobre a abordagem feita pela revista Piauí, através do blog The i-Piauí Herald, em torno do caso Cachoeira, em forma de humor, com o uso da ironia e da ficção. O estilo do texto dessa publicação, para efeito deste estudo, foi por nós denominado de falso noticiário. Selecionamos três edições, relativas ao mês de março, abril e maio de 2012 para efetuar uma análise qualitativa e propor a inclusão desse formato de noticiário no gênero Diversional, conforme especificação de Marques de Melo e Assis (2010).

Professora australiana visita a FAMECOS

Na próxima quinta-feira, dia 25, a FAMECOS recebe a visita da professora de mídia e comunicação Tania Lewis. Integrante do corpo docente da universidade australiana RMIT, Tania é formada em medicina e já exerceu a profissão na área da psiquiatria. Em 1993, ela se interessou pelos estudos culturais e mergulhou no mestrado e doutorado, acompanhada de Foucault e Bourdieu.

A professora pesquisa, atualmente, cidadania, estilos de vida políticos, media flows e as diferentes modernidades. Nessa visita que ela fará à Porto Alegre, os alunos do GEISC farão uma entrevista com Tania. Quem tiver interesse em assistir, estaremos na sala 301 da FAMECOS, às 16h.

Alguns artigos e livros publicados pela professora podem ser acessados aqui: http://rmit.academia.edu/TaniaLewis

Primeira apresentação internacional

No final de setembro, entre os dias 27 e 29, ocorreu a décima edição do Lusocom, evento realizado pela Federação Lusófona de Ciências da da Comunicação, no Centro de Administração e Políticas Públicas, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa. As inscrições ocorreram no início do período letivo do primeiro semestre e eu fui aceita para apresentação do artigo “O REAL, O FALSO E A IDENTIDADE GAÚCHA: Análise de conteúdo do jornal O Bairrista”.

O tema atual focou na problematização das ciências da comunicação no espaço lusófano, mas os Grupos de Trabalho (GTs) se dividiram em uma ampla gama, das telecomunicações às novas mídias, das teorias às identidades. Acabei por escrever um artigo específico para o evento, já que tive tempo entre as etapas de seleção. Aconselho, quando possível, que se faça o mesmo, pois pode elevar as chances de aceite.

Depois de confirmada a inscrição, enfrentei alguns dilemas, entre eles a ida à Portugal, afinal não é todo dia que se sai do continente. Comprar as passagens foi uma missão, porém dei sorte, a organização do Lusocom divulgou os trabalhos três meses antes da realização do congresso. Comecei a me organizar no exato momento, assim a viagem seria mais fácil e mais barata.

Um erro que cometi, foi chegar um dia antes do evento em Lisboa. O voo daqui até lá tem quase 12h e é extremamente cansativo. Cheguei exausta e como ficaria em Portugal apenas três dias, fui fazer turismo na saída do aeroporto. No dia seguinte começava

Eu e a minha colega Maria Teresa no evento

o congresso e fui praticamente sem dormir. As palestras foram legais, principalmente porque os portugueses têm uma visão teórica diferente da nossa, eles são mais tradicionais e conservadores. No primeiro momento, a ênfase se deu no crescimento de pesquisas lusófanas nos últimos 10 anos.

À tarde, os GTs tiveram início. O meu era sobre comunicação e representações identitárias e continha cinco apresentações. Tinha gente da Unisinos e da universidade do Minho, a mediadora, a professora Ana Isabel Rodríguez, era da Universidade de Santiago de Compostela. Quando fui apresentar, comecei falando bem devagar, pois achei que eles podiam ter dificuldade em me entender, mas logo vi que a comunicação era praticamente perfeita entre nós. Fiz 10 slides e usei meus 15 minutos inteiros, nem mais nem menos. A experiência foi ótima, não só eles gostaram do trabalho, como saí de lá com indicações de outros jornais impressos que continham sessões de falsas notícias.

Os anais oficiais não saíram ainda no site, mas já recebemos o CD com o e-book. Disponibilizo meu artigo para leitura aqui. E o programa do evento está aqui.

Início do caminho

Na última quinta-feira, o Geisc voltou a rotina de apresentações dos projetos dos colegas. Dois pré-projetos de doutorado ainda em seus estágios iniciais foram apresentados por Karine Ruy e Lúcia Coutinho. Apesar de já não ser mais um estreante na academia, o doutorando enfrenta também uma gama de desafios ao projetar sua tese, o espaço de tempo se torna maior, e a proposta mais elástica, no entanto cada fase traz suas preocupações. No caso de nossas duas colegas, o primeiro desafio é a delimitação do projeto. Regue-se a risca o anteprojeto com o qual fomos aprovados na seleção, ou o reestruturamos? Segue-se passos já iniciados no mestrado, ou muda-se de paradigmas?

O projeto de Karine , orientado pelo professor Carlos Gerbase tem como tema amplo a economia do cinema, seu foco são filmes considerados de baixíssimo orçamento, um tema pouco estudado na comunicação. Filmes longe do circuito artístico e até comercial, muitas vezes, mostram outro lado e acalentam certo romantismo do amor pelo cinema. Já o projeto de Lúcia Coutinho trata da identidade juvenil a partir da cultura midiática globalizada. Os seriados adolescentes americanos viajam o mundo e apresentam um modelo identitário para jovens de origens e culturas diversas.

Duas faces do intrincado conjunto cultural da sociedade pós-moderna e dois projetos que visam analisar os locais e preenchimentos da mídia em nossa atual sociedade e cultura.