Encontro do dia 11 de junho

Texto de Karine Ruy

Na última reunião do Geisc, tive novamente a oportunidade de falar sobre o meu projeto de tese, batizado, por enquanto, como “Câmera na mão e pouco dinheiro no bolso – a produção e a circulação de filmes de baixíssimo orçamento no Brasil”. Com orientação do professor Carlos Gerbase, meu desafio é identificar e interpretar as especificidades de filmes brasileiros realizados com baixo custo. Para fins metodológicos, definimos o teto orçamentário em R$ 200 mil. Mas claro que em uma pesquisa acadêmica precisamos tomar cuidado para que a rigidez não nos faça ignorar traços do objeto que podem trazer mais riqueza para o nosso debate.

Inicialmente eu tinha a ideia de trazer para análise dados nacionais, mas orientação vai, orientação vem, chegamos à conclusão que seria melhor fechar o corpus de análise no Rio Grande do Sul. Como as informações “de bastidores” serão imprescindíveis para a pesquisa essa proximidade vai facilitar, e muito, o trabalho e a qualidade das informações.

Discutir questões da tese com os colegas do Geisc sempre se transforma em um estímulo para baixar a cabeça e mergulhar no trabalho. Ao responder dúvidas e questionamentos conseguimos renovar o olhar sobre o nosso trabalho e seguir em frente com mais consciência daquilo que pretendemos construir ao final desses quatro anos.

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Além da colega Karine, Daniela Grimberg também apresentou seu projeto de dissertação de mestrado e o grupo discutiu sobre a publicação que será lançada em breve.

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Intercom Sul 2013

Abaixo a relação dos integrantes do Geisc que participaram do Intercom Sul 2013 na Unisc.

Autora: Camila Kieling
Título: Nas Veredas da Opinião, o Jornalismo: Uma Análise do Jornal O Povo (1838-1840)
Resumo: O período regencial brasileiro (1831-1840) foi marcado por uma verdadeira “explosão da palavra pública”, nas palavras de Morel (2003). A abdicação de D. Pedro I inaugura um período de embate entre forças políticas, em disputas que ocorreram também através dos jornais. Mas essa explosão provoca mudanças no campo da imprensa: o publicista transforma-se em jornalista e atributos como valor-notícia e imparcialidade aparecem como valores da escrita pública. Procuramos analisar de que forma o papel do jornalista e da imprensa são apresentados no discurso do jornal O Povo, órgão oficial da República Rio-Grandense, publicado durante a Revolução Farroupilha (1838-1840).

Autora: Deborah Cattani
Título: O Homo Ecranis e a Introdução de Novas Linguagens: Um Estudo Sobre o Ipad Como Múltiplas Plataformas de Leitura
Resumo: Esse artigo se propõe a investigar o possível surgimento de uma nova forma de leitura: a aquisição da informação através do sentido sensorial. A introdução dos tablets no mercado digital, em especial o iPad da Apple, leva à adesão de novos hábitos e linguagens. Essa tem como ponto de partida um questionário on-line com usuários do iPad, bem como investigações de notícias relacionadas com o assunto. Após essa etapa inicial de questionário e levantamento de dados, as categorias latentes servirão como base para uma análise mais profunda.

Autor: Eduardo Ritter
Título: As muitas faces da censura brasileira
Resumo: O presente artigo analisa o tema “censura na imprensa brasileira” dando ênfase a dois momentos principais: do surgimento da imprensa em 1808 até o fim do regime militar, em 1985, e a censura clandestina que é instaurada no país após a sua virtual redemocratização. Desproporções de forças políticas e econômicas entre os personagens que atuam nesse cenário, além do crime organizado, são os principais elementos dessa problemática contemporânea, conforme é mostrado neste estudo com exemplos históricos.

Eduardo também ministrou a oficina Gonzo: a fusão entre o jornalismo e a literatura beat, onde participaram 32 alunos de graduação.

XI Semana da Imagem na Comunicação

O pesquisador e doutorando Mateus Vilela apresentou trabalho na XI Semana da Imagem na Comunicação, no grupo de Audiovisual. Confira o resumo expandido abaixo.

A CULTURA DA MOBILIDADE E A TELEVISÃO DIGITAL: A IMAGEM TELEVISUAL NOS DISPOSITIVOS MÓVEIS

A tecnologia digital em dispositivos móveis é bastante difundida na sociedade: celulares, tablets e computadores portáteis permitem que os indivíduos tenham acesso e distribuam informações de maneira rápida, constante e em qualquer lugar. Os meios de acesso pessoal estão, cada vez mais abandonando o ambiente doméstico, tomando as ruas e possibilitando um acesso always on. Mais recentemente, a ação do digital sobre os meios se deu em uma mídia tipicamente doméstica, a televisão, que com a digitalização, começa a ganhar as ruas através da possibilidade de recepção em dispositivos móveis.

Ao optar, com algumas adaptações, pelo padrão japonês de TV digital, questões como a transmissão móvel, nas figuras da mobilidade e da portabilidade são privilegiadas. É importante ressaltar que os dois conceitos, apesar de tratarem sobre a mobilidade, são distintos: enquanto a mobilidade é a transmissão de sinal televisivo para aparelhos portáteis, a portabilidade é a veiculação de conteúdo televisivo em aparelhos pessoais como celulares, por exemplo.

Com essa possibilidade de levar o conteúdo, e a própria TV, para um ambiente diverso do doméstico há uma mudança de paradigmas: os conteúdos, os formatos e a duração não podem ser os mesmos dos aparelhos convencionais. Há mudança nos quesitos de disponibilidade, atenção, tamanho de tela e legibilidade que devem ser levados em conta na transposição, ou antes, na construção do conteúdo a ser exibido nos dispositivos móveis. A televisão, a partir da tecnologia digital, ingressa na cultura da mobilidade, da qual, as mídias tradicionais, como o rádio e jornal já fazem parte.

A importância de se trabalhar a linguagem, segundo Vicente Gosciola (2003), está presente em cada obra hipermidiática desde o momento de sua roteirização, até na estrutura dos links e as possibilidades de intervenção. Negroponte (1995) afirma que uma das características do digital é justamente superar o duelo entre volume e profundidade. Isso porque o “querer saber mais” é parte integrante da multimídia, presente na base da hipermídia.

Mas, há necessidade de um trabalho maior e mais aprofundado na linguagem usada pelas emissoras nessa programação via aparelhos móveis. A simples transcrição do conteúdo que é veiculado no aparelho televisor para as mídias móveis limita o entendimento dos públicos, além de negar as especificidades do meio.

Encontro do dia 28 de maio

Texto de Tauana Mariana Weinberg Jeffman
 
No encontro do dia 28 de maio, apresentei ao grupo algumas questões e teses relevantes, em minha concepção, da obra mais recente do professor Juremir Machado da Silva. O livro é um tanto quanto instigante, fazendo-nos discutir e debater diversos assuntos, sob pontos de vistas diferentes. Acredito que a apresentação cumpriu o seu papel: suscitou o diálogo, a inquietação e a reflexão dos membros do grupo sobre as questões que constam na obra.
 
Sobre o livro: se na sociedade do espetáculo de Guy Debord, o espetáculo é a “relação social entre pessoas, mediatizada por imagens”, na sociedade midíocre vivemos o hiperespetáculo, a vez da “baixaria”, dos astros meteóricos, do Telóismo. Exemplos como a baixa cultura (há uma baixa cultura?), Thor, o filho de Eike Batista, Paris Hilton (a patricinha delinquente), o vaso sanitário do John Lenon, o casamento real, entre outros, são apresentados por Juremir para demostrar nossa mediocridade.
 
Enquanto a sociedade do espetáculo “pretendia revelar o filme de terror do capitalismo em que todos seríamos meros figurantes”; “a sociedade midíocre, caracterizada pela passagem ao hiperespetáculo, recolocou as coisas nos seus lugares: a mídia é apenas o espetáculo da sociedade. Coincidentemente em pleno acordo com a estética da mídia”. Segundo o autor, “a sociedade midíocre não é apenas a sociedade mediada ou determinada pela mediocridade absoluta da mídia em tempo integral, mas também e principalmente a sociedade em que a mídia é determinada pela mediocridade geral. A mediocridade, porém, pode ser um sistema de organização social eficiente, rentável, satisfatório e bem-sucedido.”
 
Saímos da pós-modernidade para a hipermodernidade. O “hiper é a aceleração que desfaz, dilui e leva, pelo excesso de tecnologia, de volta às origens”. Neste caso, presenciaremos a morte do direito autoral (pois todos terão direito ao conteúdo), o fim dos livros (pois serão plataformas ultrapassadas), e o fim da escrita (pois retornaremos para uma oralidade tecnológica, aliada à comunicação por meio de imagens). Nas palavras do autor, é a vingança das imagens e sua volta triunfal.