GEISC no ALCAR 2015

O 10º Encontro Nacional de História da Mídia, organizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores da História da Mídia (ALCAR), ocorrerá em Porto Alegre/RS, nas dependências da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Entre os dias 3 e 5 de junho de 2015, pesquisadores, profissionais e estudantes debaterão o tema “A Memória na Era Digital”.

O evento conta com oito grupos temáticos (GTs), dentre eles Mídia Audiovisual e Visual, Mídia Sonora, Historiografia da Mídia, História do Jornalismo, História da Publicidade e da Comunicação Institucional, Mídia Digital, História da Mídia Impressa e História da Mídia Alternativa.

Para esta edição, o Grupo de Estudos do Imaginário, Sociedade e Cultura (GEISC) obteve um número expressivo de artigos aprovados, contando com a participação de 16 dos seus integrantes.

As apresentações ocorrerão nos dias 4 e 5 de junho.
As informações a respeito dos dias e horários das apresentações podem ser consultadas aqui.
Os resumos dos artigos produzidos pelos integrantes do GEISC estão disponíveis neste link.

Fonte: http://www.ufrgs.br/alcar2015

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Narrativas em debate no GEISC

O tema “narrativas” foi identificado como de comum interesse a parte dos integrantes do GEISC – descoberta realizada através da atividade de mapeamento das pesquisas feito no começo do semestre. Por isso, no encontro de 19/05, nosso debate foi norteado pela leitura do artigo “Narrativas: representação, instituição ou experimentação da realidade?”, de Luiz Gonzaga Motta. No texto, o autor argumenta que as narrativas (fáticas ou fictícias) não apenas representam a realidade, mas a instituem e experimentam.
O colega Angelo Carnieletto trouxe ao grupo a sua experiência com o conceito de narrativa para analisar a trajetória do ex-presidente Lula através de reportagens de telejornal. Falamos também sobre a narrativa, em sua face instituidora, como um processo que pode ser comparado a uma sessão de terapia: a busca interpretativa, um resgate de coerência que organiza e dá sentido às nossas experiências no mundo da vida.
O debate voltou-se ao jornalismo e suas práticas e ao nosso papel como pesquisadores e analistas desses processos: “O trabalho da narrativa não consiste, pois, em aproximar-se do mundo, mas sim em ordenar, em confronto com o mundo, a visão que o sujeito faz dele, porque esse sujeito quer agir em função de sua própria visão do mundo, que ele assume como verdadeira” (MOTTA, 2009, p. 11, grifo do autor).
Discutimos, por fim, sobre as grandes narrativas de fundo, os valores mobilizadores que enquadram as narrativas no tempo: a família, a democracia representativa, o capitalismo.

Referência:
MOTTA, Luiz Gonzaga. Narrativas: representação, instituição ou experimentação da realidade?. Anais do VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. São Paulo: SBPJor, 2009. Disponível em: http://goo.gl/zaAJT8.

Luiz Gonzaga Motta
Luiz Gonzaga Motta

Reunião 11/05

No encontro do dia 11 de maio, coube a mim apresentar aos pesquisadores do Geisc o tema da minha dissertação: O mito da máfia no cinema: a representação social do gênero no século XX. O estudo ainda está em fase de elaboração para ser apresentado à banca de qualificação, e o título poderá sofrer alterações. Mesmo com as mudanças que, acredito, surgirão no caminho, compartilhar a pesquisa com os colegas abriu novos horizontes dentro da minha proposta.
O interesse em buscar decifrar o mito da máfia no cinema surgiu a partir da minha admiração pela obra O poderoso chefão (The godfather, 1972), de Francis Ford Coppola, considerada um ícone do cinema por diversos estudiosos. A partir do filme, passei a ler sobre a história da máfia. Percebi, então, que o personagem Don Corleone, interpretado por Marlon Brando, que despertara empatia em mim e em tantos espectadores que se declaram fãs da produção, ficou muito longe da figura do mafioso retratada pelos historiados.
A partir daí, entendi ser necessária uma análise da representação social das narrativas sobre a máfia para buscar compreender de que forma ela retrata esses criminosos ao longo do século. Vale destacar que a retratação da máfia pela sétima arte é quase tão antiga quanto a história do próprio cinema. Poucos anos depois da primeira exibição feita pelos irmãos Lumière, em 1895, o tema já habitava o imaginário dos espectadores. A mão negra (The black hand, Wallace McCutcheon, 1906) é considerada o primeiro registro cinematográfico do mundo do crime organizado.
Desde então, o tema é recorrente no cinema. Conforme levantamento que realizei em sites especializados em cinema e em instituições antimáfia, do início do século XX até hoje, foi produzida mais de uma centena de filmes apenas sobre a máfia italiana ou ítalo-americana, principalmente pela indústria cinematográfica de Hollywood e produtoras europeias, em especial a italiana.
Averiguar o aparecimento, desenvolvimento, diferenciação e situação da imagem do mafioso retratado no cinema, compreender seus significados no decorrer do tempo, são questões de extrema importância para interpretar as diferentes releituras culturais e ideológicas do personagem ficcional que se sobressai às telas e habita o imaginário da cultura popular.
Pelo vasto acervo encontrado sobre o tema, o trabalho irá avaliar um filme que representará cada duas décadas, respeitando a seguinte divisão:

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•    1900-1910 – The black hand (Wallace McCutcheon, 1906);

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•    1920-1930 – Alma no lodo (Little Ceaser, Mervyn LeRoy, 1930);

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•    1940-1950 – A mão negra (Black Hand, Richard Thorpe, 1950);

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•    1960-1970 – O poderoso chefão (The godfather, Francis Ford Coppola, 1972);

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•    1980-1990  – Os bons companheiros (Goodfellas, Martin Scorsese, 1990).

Para buscar compreender o contexto sócio-histórico e espaço-temporal, a pesquisa se vale dos pressupostos teórico-metodológicos dos Estudos Culturais, com base em Fredric Jameson e Douglas Kellner, em especial, com uma análise multiperspectívica para desvendar o que está por trás das imagens, seus contextos, a cultura da mídia e a histórias existentes nesses documentos cinematográficos.

por Cristine Pires

Reunião 22.04

Na reunião do dia 22 de abril, apresentei aos colegas do Geisc os principais pontos da minha dissertação sobre a comunicação na obra do sociólogo Charles Cooley. Como o delineamento da pesquisa pouco mudara desde que apresentei ao grupo o material defendido na banca de qualificação e como estamos sempre procurando tornar a reunião mais interessante e proveitosa para todos, limitamos a exposição a alguns poucos minutos.

A reunião, então, se ocupou principalmente em dois eixos de diálogo:
1) reflexões sobre a estruturação metodológica do trabalho e 2) levantamento de questões que os resultados da pesquisa trazem ao campo da comunicação contemporâneo. Chegamos a alguns pontos de convergência quanto à possibilidade de dispensar aparatos metodológicos rigorosos diante de uma pesquisa com objetos, perguntas e percursos nitidamente definidos; bem como quanto à pertinência de trazer para a discussão contemporânea um olhar teórico-histórico.

Em consideração, me parece que o diálogo com colegas é parte indispensável da pesquisa científica, já que a comparação entre visões de mundo põe em teste a pertinência e a credibilidade de seus pressupostos. Além disso, uma vez que a banca de defesa seria cinco dias depois da reunião, também foi uma ótima oportunidade para ensaiar a capacidade expositiva e, de alguma forma, me preparar para as possíveis recepções.

por Iuri Yudi Furukita Baptista