GEISC no Intercom 2012

O GEISC marcou presença no XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2012, realizado entre os dias 3 e 7 de setembro na Universidade de Fortaleza (UNIFOR).

Conheça os trabalhos apresentados pelos colegas do GEISC no Intercom 2012:

Lirian Sifuentes –  GP Teorias da Comunicação

Título: Incursões pelos estudos de recepção: retomadas históricas e perspectivas futuras

Resumo: Os estudos de recepção contam com um percurso histórico de mais de três décadas, sendo possível localizar seu surgimento teórico na criação do modelo Encoding/Decoding, por Stuart Hall, em 1974, e empírico na publicação de “The Nationwide Audience”, por David Morley, em 1980. Hoje, acompanhando as discussões pertinentes à contemporaneidade, o campo coloca novas questões para serem pensadas pelos investigadores da recepção. O objetivo desse texto é situar essa trajetória, destacando as discussões relativas aos distintos momentos, e as perspectivas que se colocam para o presente e o futuro das pesquisas empíricas sobre as audiências.

Artigo completohttp://www.intercom.org.br/sis/2012/resumos/R7-1418-1.pdf

Eduardo Ritter – GP História do Jornalismo

Título: Jornalismo Gonzo: medo e delírio no New Journalism

Resumo: Quando o jornalista norte-americano Hunter S. Thompson escreveu em 1971 uma série de artigos para a Revista Rolling Stone sobre a busca do sonho americano em Las Vegas, ele criava, em meio ao New Journalism, um tipo de jornalismo que ficou conhecido como jornalismo gonzo. Essa prática jornalística, que resultou na publicação do livro Medo e delírio em Las Vegas, ficou conhecida no mundo ocidental. Entretanto, há poucos estudos em língua portuguesa sobre esse tipo de jornalismo. Dessa forma, o presente artigo traz um resgate sobre a biografia de Hunter S. Thompson e de seu jornalismo gonzo. Afinal, a vida e a obra do autor, que jogou drogas, ironia, bebidas e humor no campo jornalístico e político, estão inseparáveis.

Artigo completo: http://www.intercom.org.br/sis/2012/resumos/R7-0362-1.pdf

Daniela Grimberg – GP Comunicação e Desenvolvimento Regional e Local

Título: Mídia e desenvolvimento: a ideologia do progresso tecnológico no encarte Mais Campo, de Zero Hora.

Resumo: O presente artigo trata-se de uma análise da ideologia nas formas simbólicas empregadas pelo suplemento Mais Campo, do jornal Zero Hora, no que toca à informação voltada à temática rural. A relação entre comunicação e desenvolvimento passou a ser explorada a partir da década de 1950, partindo-se do princípio de que a comunicação é peça-chave para impulsionar a adoção de certas práticas pelas comunidades agrárias, afetando diretamente economia e política regionais. Sob essa perspectiva, a imprensa, seja ela local ou não, está submetida ao modelo de desenvolvimento no qual está inserida, estando a grande mídia gaúcha diretamente ligada aos moldes do agronegócio praticado no estado. Com base na hermenêutica de profundidade e nas concepções de ideologia para Thompson (1995), a análise foi feita a partir de três matérias sobre a utilização de tecnologia pelo produtor rural.

Artigo completo: http://www.intercom.org.br/sis/2012/resumos/R7-2218-1.pdf

Mais informações sobre o Intercom 2012 em http://intercom.unifor.br/

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Experiência docente

A segunda reunião do grupo neste semestre, no dia 28 de agosto, foi fértil em discussões. Iniciando a sessão, discutimos o projeto de pesquisa elaborado pelo colega Mateus Vilela para a seleção de doutorado. Elementos como tema, objetivo e possíveis orientadores foram discutidas entre os colegas. Logo após, o tópico da reunião referiu-se aos textos que estão sendo produzidos pelos integrantes do grupo para o Dossiê GEISC – oportunamente falaremos mais a respeito. Sugestões sobre o andamento dos artigos compuseram as discussões.

Passamos, então, para o assunto que focarei neste post: experiências docentes. Eu e o colega Eduardo Ritter compartilhamos um pouco de nossas vivências como professores. Em ambos os casos, o tempo de docência no ensino superior é curto: eu iniciei na atividade em fevereiro de 2011, na Universitária Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), e o Eduardo começou em agosto do mesmo ano como professor substituto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ambos no curso de Jornalismo. Cada semestre em sala de aula, no entanto, é rico em experiências e nos faz ver de outra perspectiva a carreira acadêmica.

As temáticas abordadas no encontro foram desde as seleções/concursos docentes, passando pela “escolha” das disciplinas a serem ministradas por nós, até o dia a dia em sala de aula, destacando as maiores dificuldades encontradas no cotidiano da universidade.

Elenco a seguir alguns dos elementos que julgo mais pertinentes para pensar a carreira docente. Primeiro, é preciso destacar que a graduação, o mestrado ou mesmo o doutorado não nos preparam para dar aula. Esse já é um ponto pacífico quando se pensa em conhecimento de didática. Buscando amenizar essa deficiência, a maior parte dos cursos de mestrado e doutorado oferece alguma disciplina complementar na área de Metodologia do Ensino Superior. Considero esse tipo de disciplina fundamental, mas é pouco. Talvez especializações na área possam ser uma saída para nos dar mais confiança para atuarmos como professor. Mas, além da questão de despreparo didático, penso que é também central ter em mente que dificilmente lecionaremos sobre o tema de nossa pesquisa. Para suprir esse aspecto, penso que só há uma saída: estudar.

Um segundo ponto, relacionado ao primeiro, é que muitos de nós decidimos cursar o doutorado sem nunca ter tido experiência em sala de aula. Quando nos deparamos, in loco, com a carreira que escolhemos (a de professor universitário), podemos descobrir que não queremos/ não “temos jeito” para isso. Já tive conversas com amigas em início de carreira docente em que nos questionávamos: “é isso que quero fazer para o resto da vida?”. Conhecemos a vida de pesquisador, mas só imaginamos como é ser professor. Nessas conversas, ninguém tem certeza absoluta sobre ser professor. Mas também não sei se alguém tem sobre qualquer carreira, ou sobre qualquer coisa na vida…

Concluindo, a experiência docente é inquietante. Obriga-nos a estar sempre estudando, ampliando interesses, coloca-nos em frente a turmas (de cinco ou de 50, já tive as duas experiências) com personalidades tão diversas. Tudo isso é um desafio permanente. Enfim, acho que a vida docente não é para quem não quer desafios. Para os outros: boa sorte, e bons alunos, para nós!

Texto de Lírian Sifuentes

Cronograma 2012/2

Pessoal, hora de organizar as agendas para não perder nenhuma reunião do GEISC nesse semestre.

Segue o cronograma até dezembro de 2012:

CRONOGRAMA DE ENCONTROS
28/08 – Debate sobre experiência docente – responsáveis Lírian e Eduardo
10/09 – Discussão sobre textos do dossiê e apresentação pré-projeto do Mateus
17/09 – Discussão sobre documentário – Deborah ( link de acesso ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Sgd4xLmLBrc&feature=plcp)
           Apresentação projeto Visibilidade de mulheres destituídas – Lírian, Bruna, Lúcia
04/10 – Apresentação de projetos – Lúcia e Karine
16/10 – Encontro intergrupos (processocom e obitel)
01/11 – Apresentação projetos Eduardo e Daniela
12/11 – Apresentação projetos Lírian e Tauana
29/11 – Encontro intergrupos
06/12 – Encerramento
E convidamos todos a participar do grupo do GEISC no Facebook: https://www.facebook.com/GEISCPUCRS

Possibilidades da TV Digital 

A penúltima reunião, antes do encerramento do primeiro semestre letivo, começou com a discussão e o refinamento dos projetos do grupo que tem previsão para o mês de outubro de 2012.

O encontro contou ainda com a apresentação, e posterior discussão, da qualificação de Mateus Vilela, membro do GEISC. O trabalho intitulado Tecnologias Digitais e mudanças: novas perspectivas da TV digital no Brasil, encontrou no grupo um importante espaço de discussões, incentivos e sugestões, com vistas ao aprimoramento do mesmo.

A pesquisa que aborda as questões tecnológicas, levando em conta fatores culturais, econômicos e políticos aproveitou as muitas questões sobre a cultura, a comunicação e metodologia levantadas durante a reunião, para o entendimento das novas configurações que uma televisão digital interativa pode tomar.

 

Texto de Mateus Vilela

Relato de reunião, relato de viagem 

Começamos nosso encontro com a apresentação da pesquisa da Tauana, intitulada: “Os órfãos de Getúlio: uma perspectiva de pesquisa sobre os imaginários do mito Vargas em mídias sociais”. O título bastante criativo já nos dá indícios sobre as opções teóricas e metodológicas da colega. Assim, no decorrer da apresentação pudemos revisar e discutir alguns conceitos de Imaginário, como os de Durand, Maffesoli, Baudrillard e Morin. Um dos temas que entrou em debate foi a noção de “bacia semântica”, proposta por Durand.

Sempre procuramos, quando das apresentações de projetos, questionar o colega, para ajudar na preparação para possíveis perguntas da banca e dessa vez não foi diferente. A Tauana nos elucidou questões relativas à procedimentos de coleta de material para análise, entre outras que nos surgiram.

E o encontro continuou produtivo em sua segunda etapa, com o relato de viagem do Vilso. Pudemos conhecer as principais cidades onde se desenvolve pesquisa científica em Comunicação, em Portugal. O colega nos contou sobre diversas experiências em Congressos, práticas culturais dos estudantes de lá, entre outras de suas experiências.

Foi uma boa oportunidade para vermos como é produtivo o Doutorado Sanduíche e como fazemos para chegar lá. Nossas curiosidades foram todas respondidas pelo colega, desde noções históricas à dúvidas pontuais como, por exemplo, de que maneira foi feita a escolha do co-orientador lá e como é morar e viver com a bolsa na Europa. Além disso, fomos presenteados com belas imagens do país que tem a mais antiga universidade do mundo.

Texto: Larissa  Lauffer Reinhardt Azubel

Falso jornalismo?

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Na última terça-feira, dia 22 de maio, o GEISC se reuniu para falar de dois assuntos importantes: o meu projeto de mestrado e o projeto do grupo para um futuro evento de metodologias. Primeiramente, apresentei a minha pesquisa, que consiste em estudar veículos de falsas notícias, tais como: O Bairrista, The Onion e The i-Piauí Herald. Depois discutimos o campo do falso jornalismo.

Esse fenômeno joga no palco da informação e do entretenimento e trouxe consigo novos questionamentos para velhos preceitos. Afinal, como pode o jornalista fazer parte de uma organização dessas? Para que serve o falso jornalismo? Por que está se disseminando tão rapidamente?

A constante vertente desse tipo de comunicação merece especial atenção. Não só por estar cada vez mais sofisticada, com vídeos em alta definição e contratação de jornalistas experientes. Mas também por seu impacto perante o público. A satirização de fatos reais e a criação de falsas reportagens pode atrapalhar o discernimento das pessoas, afetando o processo comunicativo.

Vimos que é um campo com poucas pesquisas, porém também exige um cuidado por não se tratar do jornalismo tradicional. Fizemos comparações com o new journalism, o gonzo, o Pasquim, entre outros.

Encerrada a discussão, partimos para a organização do evento de metodologias que pretendemos oferecer em novembro. Assim que tivermos o planejamento concreto do mesmo, postaremos aqui no blog.

Texto de Deborah Cattani

Publicações com livre acesso

Em seu último encontro, o Geisc embarcou em um debate muito necessário ao mundo acadêmico, e cujo capítulo mais recente foi promovido pela Universidade de Harvard. Cansada do aumento abusivo promovido por editoras e portais de periódicos acadêmicos, a respeitada instituição de ensino e pesquisa norte americana pediu a seu corpo docente e discente um boicote à publicações que não tenham acesso livre.

Os problemas desta restrição acadêmica são evidentes a todos nós pesquisadores. Ora, quem nunca sentiu a frustração de encontrar um artigo que poderia enriquecer tanto a seu trabalho e viu o aviso de que o acesso é fechado? A quem é de interesse a restrição de informação de cunho puramente acadêmico? Certamente tal prática não favorece à alunos, professores ou universidades e outras instituições de pesquisa, uma vez que a pesquisa e conhecimento científico deveriam ter por primazia serem compartilhados o máximo possível. Ademais há muito que se pensar sobre a legitimidade de indexadores ou publicações em que os autores ou revistas publicadas pagam para serem publicados. Infelizmente esta é a situação da pesquisa atualmente, no entanto é importante ouvir a apelos, como o da Universidade de Harvard, para que haja possibilidade de conseguirmos mudar as práticas do mundo acadêmico que de nada ajudam à propagação de conhecimento.

Texto de Lucia Coutinho