Os labirintos da comunicação 

“Reunião do Geisc, terça-feira, 07.06.11.
Começou como brincadeira. O colega, Vilso, propôs a dinâmica. Deveríamos ler trechos aleatórios de um texto e recortar o parágrafo mais significativo. Um texto sem nome, sem paginação, sem identidade, para que nossas escolhas e percepções sofressem o mínimo de influências. Pois bem, na fase seguinte, o tema pertinente levou-nos a colocações diversas sobre as relações entre teoria e prática, a pesquisa em Comunicação e Literatura, a necessidade ou não de resultados visíveis e aplicáveis ao cotidiano e a delimitação do território dos estudos em Comunicação.
Ponderamos sobre a legitimidade do campo da Comunicação. Sobre as dificuldades que rondam o reducionismo e as generalizações. Mais importante: compartilhamos pontos de vista sobre os assuntos em foco e dividimos nossas dificuldades. Buscamos explicações uns nos outros, criamos um ambiente de reflexão. Esta não pareceu trazer-nos certezas, mas instigou-nos a perseguir na busca pela verdade, pela nossa verdade, de nossos trabalhos, da comunicação que nós pensamos e pesquisamos e fazemos.
Adiante, o clima de descontração se refez e reconstruímos o todo por meio das partes. Colamos os pedaços de papel: foram promovidos de recortes a um novo texto. Lida em voz alta, essa criação do grupo não soou perfeita, mas perfeitamente instigante a nossos espíritos curiosos e ávidos por conhecimento.”

Texto de Larissa  Reinhardt

Em tempo: o texto lido é o primeiro ensaio da obra Passeando no Labirinto, de Erick Felinto.

FELINTO, Erick. Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação. Porto Alegre: Edipucrs, 2006.

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O cruzamento entre o saber e o fazer

São muitas as angústias que nos rodeiam, e especialmente ontem, após o bate-papo com o professor Gerbase, uma verdade tornou-se ainda mais real: a experiência profissional vs a vida acadêmica. O desafio está na habilidade de cada um em cruzar o mundo acadêmico com o mundo profissional. Em sala de aula teremos alunos sedentos por conhecimentos teóricos e práticos. E como conciliar estes dois mundos? Gerbase soube gerenciar as carreiras profissionais e acadêmicas com sabedoria, e hoje é referência nestes dois universos. Porém sua história é singular, foi o meio acadêmico que se moldou ao ritmo de vida do cineasta.
Tempo de maturação e experiência são dicas que o professor pós-doutor coloca como essenciais antes da caminhada acadêmica.
Sabemos que cada um tem seu próprio tempo. Para Gerbase, a vida e oportunidades se desenharam de maneira natural. Mas é importante frisar que, como ele mesmo diz, era uma outra época, a qual o saber e o fazer possuíam particularidades que hoje não apresentam mais. Nossa história está sendo escrita com outras tintas, temos mais competitividade, o MEC agregou novas regras ao campo, os empregadores não compreendem bem nossa ausência fomentada pelos afazares acadêmicos , e ainda temos os amigos, os amores, a família, nós mesmos, as mídias, as tecnologias, as teorias, o pós e o hiper moderno, o quanti e o quali… Enfim, cada um a sua maneira busca dar o melhor de si. Como diz o professor Roberto Ramos, estamos fazendo o melhor dentro do nosso contexto e condições de vida. Equalizar os dois mundos é também nosso desafio como mestrandos/doutorandos. Como fazer? Cabe a cada um a resposta.
Daniela Maria

Apresentação de Pesquisas – 1 

Olá colegas,
Em nosso último encontro (03/05/11) foram apresentados os trabalhos de duas pesquisadoras do Grupo.
Para que todos possam acessar essas pesquisas, escrevemos um pequeno resumo sobre nossos trabalhos para deixar aqui no blog. Leiam, comentem e deem suas sugestões!

Pesquisa 1: Luciana Galhardi

Título provisório: Comunicação Institucional: a publicidade emocional utilizada pela Natura Cosméticos

O trabalho pesquisa o apelo emocional utilizado na publicidade insitucional da Natura Cosméticos. Através do método da sociologia compreensiva de Michel Maffesoli, temos como objetivo geral, compreender como a Natura se diz agir em sua comunicação institucional. Entender como ela se dirige aos seus públicos, e como os elementos comunicacionais – visuais e discursivos – ajudam a moldar e construir um mundo mais belo e unido, é a nossa meta. Para o corpus do nosso estudo selecionamos três campanhas publicitárias, enfatizando as três peças audiovisuais (vídeos) de cunho institucional que se caracterizam por usarem o apelo emocional, divulgando sua marca como forma de valorizar o indivíduo propagando o bem-estar.
Para alcançar um resultado satisfatório em nossa análise, delimitamos nosso problema de pesquisa nas seguintes questões: como o apelo emocional, na comunicação publicitária, cria vínculo afetivo entre a Natura e o consumidor; e como os elementos utilizados nas campanhas colaboram para a construção do imaginário social. Na busca da qualidade necessária, trabalharemos como escolha prioritária as seguintes categorias teóricas: a comunicação institucional, o imaginário, e a publicidade. Pretendemos apresentar uma análise adequada das peças publicitárias selecionadas, de forma que a Natura se sinta bem representada no que tange a sua comunicação institucional, passando pelos imaginários, pela estética da sedução, e pelo apelo emocional, na construção de uma comunicação persuasiva séria, de bom gosto e encantadora.

Pesquisa 2: Bruna Rocha Silveira
Título provisório: As representações das pessoas com deficiência nas telenovelas brasileiras

Meu projeto de dissertação mudou muito desde minha entrada no mestrado até o presente momento. Enquanto fazia as primeiras disciplinas do mestrado, estava em exibição, no horário nobre da TV Globo, a novela Viver a Vida, de Manoel Carlos. A novela não se diferenciava muito de outras histórias de Manoel Carlos: famílias ricas, residentes do Leblon (bairro nobre do Rio de Janeiro), formadas por pessoas belas com seus diferentes problemas pessoais. Mas em Viver a Vida houve um fato que fez dessa novela um divisor de águas: a personagem mais bela da novela, a mocinha da história sofre um acidente e fica tetraplégica. A partir desse fato, a realidade das pessoas com deficiência foi escancarada no horário nobre da TV brasileira, num dos programas de maior audiência do país. Ao contrário da grande maioria das novelas, em que uma cura milagrosa é criada para a personagem, Manoel Carlos optou por mostrar a realidade de uma pessoa com deficiência. Como sou uma pessoa com deficiência motora e por conviver com muitas pessoas com deficiências, foi inevitável o meu envolvimento e minha identificação com esta telenovela.
Enquanto a novela Viver a Vida estava no ar, percebi que pela primeira vez, em 11 anos de deficiência motora, eu podia falar sobre deficiências com qualquer pessoa à minha volta e era minimamente entendida. Nesse momento, percebi que esta novela tinha sim um grande impacto no comportamento da sociedade brasileira.
Fazendo um cruzamento dos temas deficiência e mídia no portal de dissertações e teses da Capes descobrimos que existem apenas seis dissertações e duas teses analisando esse cruzamento.  Assumi então o desafio de estudar as representações das pessoas com deficiência nas telenovelas, a partir dos Estudos Culturais.
Estudar as representações das pessoas com deficiência em telenovelas brasileiras se justifica em pelo menos três instâncias: a dos estudos das representações midiáticas, a da importância política dessas representações ao dar visibilidade a um tema que trata da inclusão, e da importância da telenovela, como um programa de abrangência nacional e transclassista.
Entendemos a deficiência a partir dos Disability Studies, encarando a deficiência como uma retórica cultural, e não um fato ou questão biológica. Tendo em vista tal realidade, nos perguntamos como a pessoa com deficiência física é representada nas telenovelas brasileiras e no que essas representações implicam em nossa sociedade e no cotidiano dessas pessoas.
Para pensar as representações e a cultura da mídia, nos valemos do aporte teórico de Stuart Hall e Douglas Kellner. Entendemos que a cultura da mídia pode contribuir para a reprodução de discursos estereotipados e preconceituosos quando falamos em grupos minoritários (sexo, idade, classe, cor, habilidades), bem como pode propiciar uma visão mais positiva sobre esses grupos.
Nesse momento a pesquisa encontra-se em vias de qualificação, sendo que já temos um mapeamento de todos os personagens com deficiência física apresentados nas telenovelas da Rede Globo (1965-2010) e a seleção dos capítulos a serem analisados, totalizando 59 capítulos, divididos em 6 categorias temáticas: 1. A deficiência; 2. Tratamentos de reabilitação; 3. Acessibilidade; 4. Formas de enfrentamento da deficiência; 5. Sexualidade; 6. A visão do “outro”.

Sociologia: esporte de combate

Em nosso penúltimo encontro do Geisc fizemos uma discussão sobre capital cultural e habitus midiatizado. Para dar início ao debate, assistimos um pedaço do documentário Sociologia é um esporte de combate (2001), de Pierre Carles composto de discussões, entrevistas e debates, além do dia a dia daquele que é possivelmente um dos maiores oráculos da sociologia, o francês Pierre Bourdieu. Neste trecho do documentário Bourdieu fala da importância da hierarquização do capital cultural no âmbito escolar, mas podemos expandir tal tese relacionando-a à questão dos gostos de classe e como a posição social influencia não apenas a maneira como o mundo nos vê, mas também como vemos o mundo, conforme podemos ver no estudo Gostos de classe e estilos de vida do autor.

Trecho do documentário que vimos no encontro

Ponto de vista de Bourdieu necessitar de atualização sobre as possibilidades provenientes das novas tecnologias e especialmente da mobilidade de classes, podemos trazer esse pensamento para as preferências dos indivíduos dentro da mídia. Talvez para ilustrar a problemática em poucas palavras possamos lançar a reflexão: por que muitos brasileiros das classes mais abastadas tem vergonha de assistir a novelas, porém exaltam seriados americanos? Por exemplo. Por mais simplista que seja, esta é uma realidade facilmente identificável em nosso meio e reflete o habitus na mídia, abordando uma questão estética.

Para maior entendimento sobre o tema e para fomentar a discussão que sempre é interessante para aqueles que estudam cultura sugiro a leitura dos artigos:

BOURDIEU, Pierre. Gostos de classe e estilos de vida. In: ORTIZ, Renato (Org.). Pierre Bourdieu: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1983, pp.82-121.
Também disponível em diversas coletâneas sobre o autor.

FREIRE FILHO, João. Estudos Culturais e os deslocamentos do domínio estético. ECO-Pós, Rio de Janeiro: UFRJ/Eco, v.12, n.3, set-dez 2009, pp.150-171. Disponível em: http://www.pos.eco.ufrj.br/ojs-2.2.2/index.php/revista/article/view/307/341

Uma forma bem humorada de mostrar como os gostos de classe estão presentes em diversos âmbitos da sociedade se apresentam neste vídeo do quadro Vem com tudo, apresentado por Regina Casé no Fantástico, especificamente a partir de 5’50”

Texto: Lúcia Coutinho

Cronograma 2011

Queridos colegas,
primeiramente, gostaria de dar as boas-vindas aos novos participantes do GEISC. Esperamos que todos continuem participando ativamente das reuniões e atividades do grupo.
Segue a ata da primeira reunião e o cronograma das reuniões de 2011:

Na presente reunião foram discutidas as sugestões de atividades para o grupo que haviam sido comentadas na última reunião de 2010. Uma das questões tratadas foi a importância da produção de textos dos integrantes do grupo, não apenas individualmente, mas em grupo. Foram sugeridas a publicação de mais um ebook no futuro e também a produção de textos para um dossiê Geisc na revista Sessões do Imaginário. Esta segunda idéia deverá ser discutida com os responsáveis pela publicação. Além disso, foi lembrado que os textos produzidos pelo grupo podem ser enviados à seminários e congressos e outras publicações da área. A produção desses textos deverá ser discutida ao longo do semestre.

Foi decidido também que será enviado um email aos professores da Famecos a fim de convidar os alunos, bolsistas de iniciação científica, da graduação a participarem das reuniões do grupo, com o intuito de integrar os alunos da graduação nas atividades acadêmicas do PPGCOM-PUCRS.

Também foi decidido que o blog será um meio de publicação de resumos dos textos dos encontros que teremos durante o ano. Os alunos responsáveis pela reunião deverão enviar o texto antes da mesma para que os outros participantes do grupo possam inteirar-se do assunto que será discutido.Os participantes que não estão podendo vir às reuniões têm através do blog um meio de continuar participando do grupo, acompanhando as reuniões e enviando textos para serem publicados no blog. Uma comissão foi criada para a atualização constante do blog. Participam dessa comissão: Bruna Rocha Silveira, Poliana Pasa e Luísa Kalil. Sendo que, todos os participantes do grupo terão a responsabilidade de atualizar o conteúdo do blog.
Continuaremos, nesse ano, a promover a discussão dos projetos dos alunos, além de encontros com professores do PPGCOM e também de fora, discutindo temáticas de interesse dos integrantes do grupo.
Nesta primeira reunião foi decidido o cronograma de reuniões do primeiro semestre, ficando dividido da seguinte forma:

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES GEISC – 2011/1
Coordenação: Bruna Rocha Silveira – bruna.rochasilveira@gmail.com
REUNIÕES – quinzenais – terças-feiras – 19h

Data Atividade Alunos responsáveis por coordenar a atividade
Março
22/03 Definição do cronograma de 2011/1 e das atividades do grupo. Todos
Abril
05/04 Exercício de Epistemologia Alunos presentes no seminário do Prof. Jorge González em 2010 (Bruna, Dafne, Fernanda, Janaína)
19/04 Atividade a ser definida Lúcia
Maio
03/05 Apresentação de pesquisas Bruna e Dafne
17/05 Encontro com pesquisador – Prof. Carlos Gerbase Bruna
31/05 Relato do Intercom-Sul e apresentação de trabalhos Tauana e Mateus
Junho
07/06 Leitura de texto Vilso
21/06 Relato da Compós / Apresentação de pesquisas Fernanda e Luciana
Julho
05/07 Avaliação do semestre – definição do cronograma de 2011/2 Todos os alunos

Alunos presentes nessa reunião:

  • Bruna Rocha Silveira
  • Dafne Pedroso
  • Helen Garcez Braun
  • Fernanda Lopes de Freitas
  • Luísa Kalil
  • Larissa Reinhardt
  • Tauana Jeffman
  • Poliana Pasa
  • Leonardo Sen Ni
  • Vilso Jr. Santi
  • Luciana Galhardi
  • Janaina Oliveira
  • Roberta Barros
  • Renata Stoduto
  • Lúcia Coutinho
  • Mateus Dias Vilela
  • Primeira reunião de 2011

    Olá colegas!

    2011 será um ano de muitos posts no blog do Geisc. Começamos hoje com o convite para a primeira reunião no ano:

    Quando: dia 22 de março, às 19h.

    Onde: sala 301 da Famecos (prédio 7 da PUCRS).

    Amanhã decidiremos o cronograma de reuniões do semestre, que estará disponível aqui no blog nos próximos dias.

    Esperamos a presença de todos lá.

    Abs.

    Bruna