Início do caminho

Na última quinta-feira, o Geisc voltou a rotina de apresentações dos projetos dos colegas. Dois pré-projetos de doutorado ainda em seus estágios iniciais foram apresentados por Karine Ruy e Lúcia Coutinho. Apesar de já não ser mais um estreante na academia, o doutorando enfrenta também uma gama de desafios ao projetar sua tese, o espaço de tempo se torna maior, e a proposta mais elástica, no entanto cada fase traz suas preocupações. No caso de nossas duas colegas, o primeiro desafio é a delimitação do projeto. Regue-se a risca o anteprojeto com o qual fomos aprovados na seleção, ou o reestruturamos? Segue-se passos já iniciados no mestrado, ou muda-se de paradigmas?

O projeto de Karine , orientado pelo professor Carlos Gerbase tem como tema amplo a economia do cinema, seu foco são filmes considerados de baixíssimo orçamento, um tema pouco estudado na comunicação. Filmes longe do circuito artístico e até comercial, muitas vezes, mostram outro lado e acalentam certo romantismo do amor pelo cinema. Já o projeto de Lúcia Coutinho trata da identidade juvenil a partir da cultura midiática globalizada. Os seriados adolescentes americanos viajam o mundo e apresentam um modelo identitário para jovens de origens e culturas diversas.

Duas faces do intrincado conjunto cultural da sociedade pós-moderna e dois projetos que visam analisar os locais e preenchimentos da mídia em nossa atual sociedade e cultura.

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Experiência docente

A segunda reunião do grupo neste semestre, no dia 28 de agosto, foi fértil em discussões. Iniciando a sessão, discutimos o projeto de pesquisa elaborado pelo colega Mateus Vilela para a seleção de doutorado. Elementos como tema, objetivo e possíveis orientadores foram discutidas entre os colegas. Logo após, o tópico da reunião referiu-se aos textos que estão sendo produzidos pelos integrantes do grupo para o Dossiê GEISC – oportunamente falaremos mais a respeito. Sugestões sobre o andamento dos artigos compuseram as discussões.

Passamos, então, para o assunto que focarei neste post: experiências docentes. Eu e o colega Eduardo Ritter compartilhamos um pouco de nossas vivências como professores. Em ambos os casos, o tempo de docência no ensino superior é curto: eu iniciei na atividade em fevereiro de 2011, na Universitária Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), e o Eduardo começou em agosto do mesmo ano como professor substituto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ambos no curso de Jornalismo. Cada semestre em sala de aula, no entanto, é rico em experiências e nos faz ver de outra perspectiva a carreira acadêmica.

As temáticas abordadas no encontro foram desde as seleções/concursos docentes, passando pela “escolha” das disciplinas a serem ministradas por nós, até o dia a dia em sala de aula, destacando as maiores dificuldades encontradas no cotidiano da universidade.

Elenco a seguir alguns dos elementos que julgo mais pertinentes para pensar a carreira docente. Primeiro, é preciso destacar que a graduação, o mestrado ou mesmo o doutorado não nos preparam para dar aula. Esse já é um ponto pacífico quando se pensa em conhecimento de didática. Buscando amenizar essa deficiência, a maior parte dos cursos de mestrado e doutorado oferece alguma disciplina complementar na área de Metodologia do Ensino Superior. Considero esse tipo de disciplina fundamental, mas é pouco. Talvez especializações na área possam ser uma saída para nos dar mais confiança para atuarmos como professor. Mas, além da questão de despreparo didático, penso que é também central ter em mente que dificilmente lecionaremos sobre o tema de nossa pesquisa. Para suprir esse aspecto, penso que só há uma saída: estudar.

Um segundo ponto, relacionado ao primeiro, é que muitos de nós decidimos cursar o doutorado sem nunca ter tido experiência em sala de aula. Quando nos deparamos, in loco, com a carreira que escolhemos (a de professor universitário), podemos descobrir que não queremos/ não “temos jeito” para isso. Já tive conversas com amigas em início de carreira docente em que nos questionávamos: “é isso que quero fazer para o resto da vida?”. Conhecemos a vida de pesquisador, mas só imaginamos como é ser professor. Nessas conversas, ninguém tem certeza absoluta sobre ser professor. Mas também não sei se alguém tem sobre qualquer carreira, ou sobre qualquer coisa na vida…

Concluindo, a experiência docente é inquietante. Obriga-nos a estar sempre estudando, ampliando interesses, coloca-nos em frente a turmas (de cinco ou de 50, já tive as duas experiências) com personalidades tão diversas. Tudo isso é um desafio permanente. Enfim, acho que a vida docente não é para quem não quer desafios. Para os outros: boa sorte, e bons alunos, para nós!

Texto de Lírian Sifuentes