Reunião 02/06

Na última terça-feira, dia 2 de junho, compartilhei com os colegas do Geisc o tema da minha dissertação: O Jornalismo Cultural na Pós-Modernidade. O trabalho, que tem a orientação do professor Juremir Machado da Silva, está em fase de elaboração e será defendido até o final deste ano (2015).

Em um primeiro momento, apresentei aos pesquisadores a justificativa pela escolha do tema, o problema de pesquisa, os objetivos do trabalho e um breve sumário. O jornalismo cultural sempre deteve a minha atenção por unir duas paixões: a arte e o jornalismo. A primeira é essencial porque tem a capacidade de interpretar e ler a realidade, de despertar nos indivíduos sensibilidade, e de comunicar; o segundo porque desempenha papel fundamental na sociedade, quando narra o vivido, informa e dialoga buscando a construção de um espaço mais qualitativo para todos. O jornalismo cultural, portanto, tem a capacidade de refletir sobre a arte produzida – a realidade de um período; e de criar uma conexão entre o produtor da obra e o consumidor, instigando a reflexão e o pensamento crítico.

Ao explorar a atual configuração do jornalismo cultural na pós-modernidade, objetiva-se elucidar os diversos meios de comunicação que reservam espaço para o segmento, além de compreender como ele se apresenta no tempo presente, em um momento caracterizado pela instantaneidade e individualidade. Para isso, serão utilizados os estudos de autores como Daniel Piza, Marialva Barbosa, Cremilda Medina, Arthur Dapieve, Cida Golin, Jorge Rivera, entre outros (para o jornalismo cultural); e Zygmunt Bauman, Gilles Lipovetsky, Fredric Jameson, Guy Debord, Jean-Françóis Lyotard e Michel Maffesoli (para a pós-modernidade). Ademais, será feita a análise de conteúdo (com base em Laurence Bardin) do caderno de cultura da Folha de SP, da Revista Cult, e do site Digestivo Cultural.

Em um segundo momento, discutimos a respeito do jornalismo cultural brasileiro, do que pode ser considerado arte hoje em dia (e das suas diversas nuances) e da metodologia da pesquisa. Sem dúvidas o espaço de reflexão que o grupo proporcionou foi extremamente qualitativo para o meu trabalho e despertou novas ideias e questões.

Por Micaela Rossetti.

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Reunião 11/05

No encontro do dia 11 de maio, coube a mim apresentar aos pesquisadores do Geisc o tema da minha dissertação: O mito da máfia no cinema: a representação social do gênero no século XX. O estudo ainda está em fase de elaboração para ser apresentado à banca de qualificação, e o título poderá sofrer alterações. Mesmo com as mudanças que, acredito, surgirão no caminho, compartilhar a pesquisa com os colegas abriu novos horizontes dentro da minha proposta.
O interesse em buscar decifrar o mito da máfia no cinema surgiu a partir da minha admiração pela obra O poderoso chefão (The godfather, 1972), de Francis Ford Coppola, considerada um ícone do cinema por diversos estudiosos. A partir do filme, passei a ler sobre a história da máfia. Percebi, então, que o personagem Don Corleone, interpretado por Marlon Brando, que despertara empatia em mim e em tantos espectadores que se declaram fãs da produção, ficou muito longe da figura do mafioso retratada pelos historiados.
A partir daí, entendi ser necessária uma análise da representação social das narrativas sobre a máfia para buscar compreender de que forma ela retrata esses criminosos ao longo do século. Vale destacar que a retratação da máfia pela sétima arte é quase tão antiga quanto a história do próprio cinema. Poucos anos depois da primeira exibição feita pelos irmãos Lumière, em 1895, o tema já habitava o imaginário dos espectadores. A mão negra (The black hand, Wallace McCutcheon, 1906) é considerada o primeiro registro cinematográfico do mundo do crime organizado.
Desde então, o tema é recorrente no cinema. Conforme levantamento que realizei em sites especializados em cinema e em instituições antimáfia, do início do século XX até hoje, foi produzida mais de uma centena de filmes apenas sobre a máfia italiana ou ítalo-americana, principalmente pela indústria cinematográfica de Hollywood e produtoras europeias, em especial a italiana.
Averiguar o aparecimento, desenvolvimento, diferenciação e situação da imagem do mafioso retratado no cinema, compreender seus significados no decorrer do tempo, são questões de extrema importância para interpretar as diferentes releituras culturais e ideológicas do personagem ficcional que se sobressai às telas e habita o imaginário da cultura popular.
Pelo vasto acervo encontrado sobre o tema, o trabalho irá avaliar um filme que representará cada duas décadas, respeitando a seguinte divisão:

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•    1900-1910 – The black hand (Wallace McCutcheon, 1906);

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•    1920-1930 – Alma no lodo (Little Ceaser, Mervyn LeRoy, 1930);

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•    1940-1950 – A mão negra (Black Hand, Richard Thorpe, 1950);

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•    1960-1970 – O poderoso chefão (The godfather, Francis Ford Coppola, 1972);

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•    1980-1990  – Os bons companheiros (Goodfellas, Martin Scorsese, 1990).

Para buscar compreender o contexto sócio-histórico e espaço-temporal, a pesquisa se vale dos pressupostos teórico-metodológicos dos Estudos Culturais, com base em Fredric Jameson e Douglas Kellner, em especial, com uma análise multiperspectívica para desvendar o que está por trás das imagens, seus contextos, a cultura da mídia e a histórias existentes nesses documentos cinematográficos.

por Cristine Pires

Reunião 22.04

Na reunião do dia 22 de abril, apresentei aos colegas do Geisc os principais pontos da minha dissertação sobre a comunicação na obra do sociólogo Charles Cooley. Como o delineamento da pesquisa pouco mudara desde que apresentei ao grupo o material defendido na banca de qualificação e como estamos sempre procurando tornar a reunião mais interessante e proveitosa para todos, limitamos a exposição a alguns poucos minutos.

A reunião, então, se ocupou principalmente em dois eixos de diálogo:
1) reflexões sobre a estruturação metodológica do trabalho e 2) levantamento de questões que os resultados da pesquisa trazem ao campo da comunicação contemporâneo. Chegamos a alguns pontos de convergência quanto à possibilidade de dispensar aparatos metodológicos rigorosos diante de uma pesquisa com objetos, perguntas e percursos nitidamente definidos; bem como quanto à pertinência de trazer para a discussão contemporânea um olhar teórico-histórico.

Em consideração, me parece que o diálogo com colegas é parte indispensável da pesquisa científica, já que a comparação entre visões de mundo põe em teste a pertinência e a credibilidade de seus pressupostos. Além disso, uma vez que a banca de defesa seria cinco dias depois da reunião, também foi uma ótima oportunidade para ensaiar a capacidade expositiva e, de alguma forma, me preparar para as possíveis recepções.

por Iuri Yudi Furukita Baptista

Início do caminho

Na última quinta-feira, o Geisc voltou a rotina de apresentações dos projetos dos colegas. Dois pré-projetos de doutorado ainda em seus estágios iniciais foram apresentados por Karine Ruy e Lúcia Coutinho. Apesar de já não ser mais um estreante na academia, o doutorando enfrenta também uma gama de desafios ao projetar sua tese, o espaço de tempo se torna maior, e a proposta mais elástica, no entanto cada fase traz suas preocupações. No caso de nossas duas colegas, o primeiro desafio é a delimitação do projeto. Regue-se a risca o anteprojeto com o qual fomos aprovados na seleção, ou o reestruturamos? Segue-se passos já iniciados no mestrado, ou muda-se de paradigmas?

O projeto de Karine , orientado pelo professor Carlos Gerbase tem como tema amplo a economia do cinema, seu foco são filmes considerados de baixíssimo orçamento, um tema pouco estudado na comunicação. Filmes longe do circuito artístico e até comercial, muitas vezes, mostram outro lado e acalentam certo romantismo do amor pelo cinema. Já o projeto de Lúcia Coutinho trata da identidade juvenil a partir da cultura midiática globalizada. Os seriados adolescentes americanos viajam o mundo e apresentam um modelo identitário para jovens de origens e culturas diversas.

Duas faces do intrincado conjunto cultural da sociedade pós-moderna e dois projetos que visam analisar os locais e preenchimentos da mídia em nossa atual sociedade e cultura.

Apresentando projetos no Grupo 

Texto de Larissa Lauffer Reinhardt Azubel:

Dia 18 de outubro: Apresentando Projetos e Projetando Apresentações

Uma das atividades a que o nosso grupo se propõe é a apresentação dos Projetos de Pesquisa. Isso é fundamental, porque, a partir desse momento, podemos projetar as observações de nossa Banca de Qualificação. Além, é claro, de ser uma ocasião em que dividimos angústias, dúvidas, convicções e posicionamentos.

 Comigo não foi diferente. Em 18 de outubro, tive a oportunidade de fazer a exposição do meu trabalho, denominado, “Revistas Veja e Época: uma Análise Semiológica”. Num primeiro momento, falei sobre objeto, método e técnica de pesquisa. Depois, pude usufruir das observações pertinentes dos outros membros do Geisc. Neste dia, a colega Helen também fez sua apresentação. Confiram mais detalhes no post dela.

 Foram momentos importantes, em que diversas questões vieram à tona, para colaborar com a confecção de pesquisas em permanente construção, desde o início de 2011. Recomendo a todos que aproveitem a oportunidade. Mais produtiva, em minha opinião, antes de ir à primeira branca.

Apresentação de Pesquisas – 1 

Olá colegas,
Em nosso último encontro (03/05/11) foram apresentados os trabalhos de duas pesquisadoras do Grupo.
Para que todos possam acessar essas pesquisas, escrevemos um pequeno resumo sobre nossos trabalhos para deixar aqui no blog. Leiam, comentem e deem suas sugestões!

Pesquisa 1: Luciana Galhardi

Título provisório: Comunicação Institucional: a publicidade emocional utilizada pela Natura Cosméticos

O trabalho pesquisa o apelo emocional utilizado na publicidade insitucional da Natura Cosméticos. Através do método da sociologia compreensiva de Michel Maffesoli, temos como objetivo geral, compreender como a Natura se diz agir em sua comunicação institucional. Entender como ela se dirige aos seus públicos, e como os elementos comunicacionais – visuais e discursivos – ajudam a moldar e construir um mundo mais belo e unido, é a nossa meta. Para o corpus do nosso estudo selecionamos três campanhas publicitárias, enfatizando as três peças audiovisuais (vídeos) de cunho institucional que se caracterizam por usarem o apelo emocional, divulgando sua marca como forma de valorizar o indivíduo propagando o bem-estar.
Para alcançar um resultado satisfatório em nossa análise, delimitamos nosso problema de pesquisa nas seguintes questões: como o apelo emocional, na comunicação publicitária, cria vínculo afetivo entre a Natura e o consumidor; e como os elementos utilizados nas campanhas colaboram para a construção do imaginário social. Na busca da qualidade necessária, trabalharemos como escolha prioritária as seguintes categorias teóricas: a comunicação institucional, o imaginário, e a publicidade. Pretendemos apresentar uma análise adequada das peças publicitárias selecionadas, de forma que a Natura se sinta bem representada no que tange a sua comunicação institucional, passando pelos imaginários, pela estética da sedução, e pelo apelo emocional, na construção de uma comunicação persuasiva séria, de bom gosto e encantadora.

Pesquisa 2: Bruna Rocha Silveira
Título provisório: As representações das pessoas com deficiência nas telenovelas brasileiras

Meu projeto de dissertação mudou muito desde minha entrada no mestrado até o presente momento. Enquanto fazia as primeiras disciplinas do mestrado, estava em exibição, no horário nobre da TV Globo, a novela Viver a Vida, de Manoel Carlos. A novela não se diferenciava muito de outras histórias de Manoel Carlos: famílias ricas, residentes do Leblon (bairro nobre do Rio de Janeiro), formadas por pessoas belas com seus diferentes problemas pessoais. Mas em Viver a Vida houve um fato que fez dessa novela um divisor de águas: a personagem mais bela da novela, a mocinha da história sofre um acidente e fica tetraplégica. A partir desse fato, a realidade das pessoas com deficiência foi escancarada no horário nobre da TV brasileira, num dos programas de maior audiência do país. Ao contrário da grande maioria das novelas, em que uma cura milagrosa é criada para a personagem, Manoel Carlos optou por mostrar a realidade de uma pessoa com deficiência. Como sou uma pessoa com deficiência motora e por conviver com muitas pessoas com deficiências, foi inevitável o meu envolvimento e minha identificação com esta telenovela.
Enquanto a novela Viver a Vida estava no ar, percebi que pela primeira vez, em 11 anos de deficiência motora, eu podia falar sobre deficiências com qualquer pessoa à minha volta e era minimamente entendida. Nesse momento, percebi que esta novela tinha sim um grande impacto no comportamento da sociedade brasileira.
Fazendo um cruzamento dos temas deficiência e mídia no portal de dissertações e teses da Capes descobrimos que existem apenas seis dissertações e duas teses analisando esse cruzamento.  Assumi então o desafio de estudar as representações das pessoas com deficiência nas telenovelas, a partir dos Estudos Culturais.
Estudar as representações das pessoas com deficiência em telenovelas brasileiras se justifica em pelo menos três instâncias: a dos estudos das representações midiáticas, a da importância política dessas representações ao dar visibilidade a um tema que trata da inclusão, e da importância da telenovela, como um programa de abrangência nacional e transclassista.
Entendemos a deficiência a partir dos Disability Studies, encarando a deficiência como uma retórica cultural, e não um fato ou questão biológica. Tendo em vista tal realidade, nos perguntamos como a pessoa com deficiência física é representada nas telenovelas brasileiras e no que essas representações implicam em nossa sociedade e no cotidiano dessas pessoas.
Para pensar as representações e a cultura da mídia, nos valemos do aporte teórico de Stuart Hall e Douglas Kellner. Entendemos que a cultura da mídia pode contribuir para a reprodução de discursos estereotipados e preconceituosos quando falamos em grupos minoritários (sexo, idade, classe, cor, habilidades), bem como pode propiciar uma visão mais positiva sobre esses grupos.
Nesse momento a pesquisa encontra-se em vias de qualificação, sendo que já temos um mapeamento de todos os personagens com deficiência física apresentados nas telenovelas da Rede Globo (1965-2010) e a seleção dos capítulos a serem analisados, totalizando 59 capítulos, divididos em 6 categorias temáticas: 1. A deficiência; 2. Tratamentos de reabilitação; 3. Acessibilidade; 4. Formas de enfrentamento da deficiência; 5. Sexualidade; 6. A visão do “outro”.