Narrativas em debate no GEISC

O tema “narrativas” foi identificado como de comum interesse a parte dos integrantes do GEISC – descoberta realizada através da atividade de mapeamento das pesquisas feito no começo do semestre. Por isso, no encontro de 19/05, nosso debate foi norteado pela leitura do artigo “Narrativas: representação, instituição ou experimentação da realidade?”, de Luiz Gonzaga Motta. No texto, o autor argumenta que as narrativas (fáticas ou fictícias) não apenas representam a realidade, mas a instituem e experimentam.
O colega Angelo Carnieletto trouxe ao grupo a sua experiência com o conceito de narrativa para analisar a trajetória do ex-presidente Lula através de reportagens de telejornal. Falamos também sobre a narrativa, em sua face instituidora, como um processo que pode ser comparado a uma sessão de terapia: a busca interpretativa, um resgate de coerência que organiza e dá sentido às nossas experiências no mundo da vida.
O debate voltou-se ao jornalismo e suas práticas e ao nosso papel como pesquisadores e analistas desses processos: “O trabalho da narrativa não consiste, pois, em aproximar-se do mundo, mas sim em ordenar, em confronto com o mundo, a visão que o sujeito faz dele, porque esse sujeito quer agir em função de sua própria visão do mundo, que ele assume como verdadeira” (MOTTA, 2009, p. 11, grifo do autor).
Discutimos, por fim, sobre as grandes narrativas de fundo, os valores mobilizadores que enquadram as narrativas no tempo: a família, a democracia representativa, o capitalismo.

Referência:
MOTTA, Luiz Gonzaga. Narrativas: representação, instituição ou experimentação da realidade?. Anais do VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. São Paulo: SBPJor, 2009. Disponível em: http://goo.gl/zaAJT8.

Luiz Gonzaga Motta
Luiz Gonzaga Motta

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GEISC no Ibercom 2015

O GEISC esteve representado no XIV Congresso Ibero-Americano de Comunicação – Ibercom 2015 através da participação de vários de seus integrantes. O evento aconteceu entre os dias 29 de março e 2 de abril de 2015 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e teve como tema central as relações entre Comunicação, Cultura e Mídias Sociais.

Infelizmente, a conferência inaugural com o professor Jesús Martin Barbero foi cancelada, mas substituída com brilhantismo pelo professor Derrick de Kerckhove, da Universidade de Toronto, que falou sobre a Cultura da Transparência (um resumo da conferência está disponível aqui: http://www3.eca.usp.br/sites/default/files/u24/derrick.pdf).

Os “geiscos” presentes foram:

  • Bruna da Rocha Silveira, doutoranda (UFRGS), participou da Divisão Temática (DT) Comunicação e Identidades Culturais com o artigo O que é ser doente? Blogues de pessoas com doenças crônicas e construção identitária.
  • Camila Garcia Kieling, doutoranda, participou da DT Estudos de Jornalismo com o artigo Avenida da Legalidade e da Democracia: jornalismo e memória.
  • Eduardo Ritter, doutorando, participou da DT de Folkcomunicação com o artigo Mídia e Folkcomunicação: a apropriação midiática da linguagem travesti.
  • Fernanda Lopes de Freitas, doutoranda, apresentou o trabalho A estética barroca das organizações familiares através das discursividades organizacionais na DT Estudos de Comunicação Organizacional.
  • Lirian Sifuentes, doutora, na DT Recepção e Consumo na Comunicação, apresentou o artigo Consumo de telenovela por mulheres de diferentes classes sociais.
  • Karine Ruy, doutoranda, participou da DT Comunicação Audiovisual, com o trabalho Traços e trajetos do cinema de baixo orçamento no Brasil.

Em breve serão publicados os anais do evento e os artigos poderão ser acessados na íntegra.

Mais informações sobre o Ibercom 2015: http://www.assibercom.org/congressoibercom2015/

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Mesa de abertura do Ibercom 2015. Fonte: facebook.com/ibercom2015

Os labirintos da comunicação 

“Reunião do Geisc, terça-feira, 07.06.11.
Começou como brincadeira. O colega, Vilso, propôs a dinâmica. Deveríamos ler trechos aleatórios de um texto e recortar o parágrafo mais significativo. Um texto sem nome, sem paginação, sem identidade, para que nossas escolhas e percepções sofressem o mínimo de influências. Pois bem, na fase seguinte, o tema pertinente levou-nos a colocações diversas sobre as relações entre teoria e prática, a pesquisa em Comunicação e Literatura, a necessidade ou não de resultados visíveis e aplicáveis ao cotidiano e a delimitação do território dos estudos em Comunicação.
Ponderamos sobre a legitimidade do campo da Comunicação. Sobre as dificuldades que rondam o reducionismo e as generalizações. Mais importante: compartilhamos pontos de vista sobre os assuntos em foco e dividimos nossas dificuldades. Buscamos explicações uns nos outros, criamos um ambiente de reflexão. Esta não pareceu trazer-nos certezas, mas instigou-nos a perseguir na busca pela verdade, pela nossa verdade, de nossos trabalhos, da comunicação que nós pensamos e pesquisamos e fazemos.
Adiante, o clima de descontração se refez e reconstruímos o todo por meio das partes. Colamos os pedaços de papel: foram promovidos de recortes a um novo texto. Lida em voz alta, essa criação do grupo não soou perfeita, mas perfeitamente instigante a nossos espíritos curiosos e ávidos por conhecimento.”

Texto de Larissa  Reinhardt

Em tempo: o texto lido é o primeiro ensaio da obra Passeando no Labirinto, de Erick Felinto.

FELINTO, Erick. Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação. Porto Alegre: Edipucrs, 2006.