O longo caminho até o doutorado sanduíche

(Atenção: post longo pela frente!)

Bom, algum desavisado que chegue até esse blog pode se perguntar: mas o que é doutorado sanduíche? Bom, é um período, que pode ser de 4, 6 ou 12 meses, em que um doutorando realiza parte de sua pesquisa no exterior, com orientação de um professor estrangeiro, recebendo uma bolsa e outros auxílios financeiros da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Supeior) ou outra agênica de fomento à pesquisa. Para isso, precisa ter sido aprovado no programa onde realiza o doutorado, bem como pela Capes. Quer dizer, isso tudo se tratando de sanduíche financiado pela Capes, se for por outra instituição, não sei.

Para aqueles que pretendem fazer doutorado sanduíche, saibam que é um caminho um tanto quanto burocrático, que exige certa paciência, mas não costuma ser algo concorrido. Cada vez mais, os programas têm recebido auxílio da Capes para que seus alunos possam fazê-lo. No meu programa (Doutorado em Comunicação da PUCRS), não conheço ninguém que não tenha conseguido ir por falta de bolsa. Pelo que sei, no momento eles têm duas quotas de 12 meses, ou seja, podem mandar duas pessoas para ficar um ano – pouco comum – ou até 6 pessoas para ficarem 4 meses. Além disso, um programa pode receber as bolsas destinadas a outro na mesma universidade, já que em algumas áreas as bolsas sobram.

No meu processo para vir para o sanduíche, dois pontos foram os mais difíceis: a qualificação do doutorado e a obtenção do visto americano. A parte propriamente de aprovação pelo programa e pela Capes foi o mais tranquilo.

A qualificação
Primeiro, a qualificação. No caso do meu doutorado, exigem que, para iniciar o pedido de bolsa para o sanduíche, o aluno já tenha qualificado. Para isso, precisa estar com cerca de 80% dos créditos finalizados e o trabalho a ser defendido precisa ter 120 páginas. Há outros programas em que a qualificação é a aprovação do projeto de pesquisa, ou uma proposta de pesquisa mais desenvolvida, não passando de 50 páginas. Em outros, ainda, a qualificação não é pré-requisito para poder se candidatar ao sanduíche. Então, tive que produzir a qualificação até julho de 2012 para conseguir viajar em janeiro de 2013.

*Importante: eu diria que o tempo mínimo para dar andamento no processo é de 5 meses, menos que isso até é possível, mas vai ter que contar com a sorte (às vezes, 5 meses também é apertado, como no meu caso).

Acho que para quase todo mundo, a luta contra os prazos no mestrado e no doutorado é uma constante. Para quem trabalha, piora, já que tem que conciliar o doutorado com o trabalho. Foi meu caso, e posso dizer que o último mês de produção da qualificação foi meio enlouquecedor. Bom, mas ainda bem que tive que fazer, agora meu trabalho está encaminhado, embora falte ainda a maior parte.

A aprovação da bolsa pela Capes
Só depois de defender a qualificação pude encaminhar os documentos (veja os documentos necessários aqui). Com a documentação completa, o curso faz uma banca para aprovação do candidato, especialmente levando em consideração seu projeto de pesquisa no exterior. Meu projeto foi basicamente as partes teórica e metodológica da minha tese, que pretendo desenvolver aqui. Não planejei nada paralelo ou complementar à minha pesquisa, mas há quem faça isso. Duas semanas depois de ter encaminhado a papelada, a PUC aprovou e homologou minha candidatura junto à Capes. Depois disso, foi mais um mês e meio para receber a Carta de  Concessão da Capes.

O DS2019
A partir daí é que começou minha dor de cabeça. Tinha que conseguir o visto J1 (de estudante) para poder viajar aos Estados Unidos, e, para isso, é preciso que a universidade americana conceda o DS2019, um formulário que vai conter o número de aprovação da viagem, basicamente. Para fornecer esse formulário, a universidade americana pediu que eu enviasse alguns documentos e preenchesse uns formulários. Os mais importantes eram a carta de concessão e o seguro-saúde (a Capes paga um valor fixo para o seguro, de 540 dólares, mais só depois da implementação da bolsa, que depende de o visto e tudo mais estar OK). Não tinha como pedir o DS2019 antes de receber a carta da Capes.

O precioso DS2019. Se você vai estudar
nos EUA, ainda vai ouvir muito falar dele.

Bom, enviei os documentos para a universidade no final de outubro. Uma semana depois, recebi um e-mail dizendo que eu precisava comprovar renda complementar, já que a bolsa da Capes é de 1.300 dólares para os Estados Unidos e a universidade exigia 1.600 como o mínimo necessário para viver nos EUA. Parecia uma coisa complicada, mas foi simples: enviei o meu extrato da poupança digitalizado, comprovando que tinha o valor complementar. *OBS: Eu não gasto nem US$ 800 por mês aqui.

Depois disso, esperava ansiosamente um e-mail com o dito formulário, mas o e-mail demorou um mês e meio (na verdade, o formulário é enviado por correio, e demora uns diazinhos para chegar dos EUA). Portanto, recebi o DS2019 na metade de dezembro e minha intenção era viajar dia 31 de dezembro. Quando recebi o formulário, os planos já estavam desfeitos, porque estava muito em cima.

o J1
Só após receber o DS2019 que pude preencher o formulário do visto americano, agendar a entrevista em São Paulo e ver a viagem de Porto Alegre para São Paulo. Depois de ver isso tudo correndo e estar com o visto aprovado, ainda me incomodei com a entrega do passaporte. Como o consulado americano está/estava com problemas com a justiça quanto à prestadora do serviço de entrega dos passaportes, o serviço não estava disponível e era preciso retirar lá em SP, pessoalmente ou via alguém autorizado (bom, descobri isso depois de muita desinformação, que conto em um post sobre o visto, apesar de ter muita informação por aí, não serviram exatamente para mim). Não tenho nenhuma pessoa próxima em São Paulo, mas, felizmente, minha irmã adiantou a viagem para fazer o visto dela (para viajarmos pra NYC mês que vem!) e retirou meu visto. Ufa!

Até receber o DS2019, achava que eram necessários 15 dias úteis entre eu enviar todos os documentos para a Capes (o único que faltava era o visto) e poder viajar, caso contrário deixaria de receber o auxílio deslocamento e o auxílio instalação (ia perder quase 6mil reais). Pelo menos era isso que dizia na carta de concessão e que diz no site da Capes. Até que falei com uma pessoa capacitada da Capes que disse que não era preciso. Dias depois, falei com outro técnico para confirmar, que foi bem claro: é possível enviar os documentos (os que não são exigidos para a candidatura, mas para a implementação da bolsa) num dia e viajar no outro. Ah tá!

*Dica: o pessoal da Capes não gosta que tirem dúvidas sobre o processo com eles – nem por telefone, nem por e-mail (claro que eu fiz as duas coisas, e fui tratada com certa grosseria). O certo é se informar no próprio programa ou na área da universidade responsável (se souberem informar…). No entanto, se for mesmo necessário, tem que ligar para o número de telefone que vem na carta de concessão. Se ligar para o número que há no site da Capes, que é o geral do Mec, não vão saber informar direito. Nesse número da carta quem atende são os técnicos que entendem mesmo. Bom, eu não vou passar o número, portanto, antes de ter sido aprovado vai ser difícil ter informações.

Bom, como faz só uma semana que estou aqui para o doutorado sanduíche, ainda não posso dizer se todo esse trabalho valeu a pena. Para quem não vai para os EUA, se o processo de concessão de visto para o país de interesse for simples (mesmo países que não costumam exigir visto para turista, como os da Europa, exigem para estudante, até porque vai se passar mais de três meses no país), metade do trabalho não será necessário.

Mas, para que todo esse trabalho? No próximo post, falo sobre meus motivos e minhas escolhas para o sanduíche.

Fonte: Blog da integrante do GEISC Lirian Sifuentes, Welcome to Aggieland.

Início do caminho

Na última quinta-feira, o Geisc voltou a rotina de apresentações dos projetos dos colegas. Dois pré-projetos de doutorado ainda em seus estágios iniciais foram apresentados por Karine Ruy e Lúcia Coutinho. Apesar de já não ser mais um estreante na academia, o doutorando enfrenta também uma gama de desafios ao projetar sua tese, o espaço de tempo se torna maior, e a proposta mais elástica, no entanto cada fase traz suas preocupações. No caso de nossas duas colegas, o primeiro desafio é a delimitação do projeto. Regue-se a risca o anteprojeto com o qual fomos aprovados na seleção, ou o reestruturamos? Segue-se passos já iniciados no mestrado, ou muda-se de paradigmas?

O projeto de Karine , orientado pelo professor Carlos Gerbase tem como tema amplo a economia do cinema, seu foco são filmes considerados de baixíssimo orçamento, um tema pouco estudado na comunicação. Filmes longe do circuito artístico e até comercial, muitas vezes, mostram outro lado e acalentam certo romantismo do amor pelo cinema. Já o projeto de Lúcia Coutinho trata da identidade juvenil a partir da cultura midiática globalizada. Os seriados adolescentes americanos viajam o mundo e apresentam um modelo identitário para jovens de origens e culturas diversas.

Duas faces do intrincado conjunto cultural da sociedade pós-moderna e dois projetos que visam analisar os locais e preenchimentos da mídia em nossa atual sociedade e cultura.